segunda-feira, 26 de abril de 2010

Mostra Documental sobre o 25 de Abril


De forma a celebrar o 25 de Abril, está patente na nossa biblioteca, até ao dia 30 de Maio, uma mostra documental com diversos livros e outros documentos relacionados com o tema. Agradece-se ao professor Rebelo ter facultado a maior parte do acervo exposto, e aos alunos do CEF terem criado o cartaz.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dia Mundial do livro e dos direitos de autor


Comemora-se hoje o dia Mundial do Livro e dos Direitos de autor. A UNESCO celebra este dia com o lançamento de um Observatório Anti-Pirataria.

domingo, 18 de abril de 2010

quinta-feira, 15 de abril de 2010

23 de ABRIL - DIA MUNDIAL DO LIVRO

O Dia Mundial do Livro é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de Abril. Trata-se de uma data simbólica para a literatura, já que, segundo os vários calendários, neste dia desapareceram escritores como Cervantes e Shakespeare.
A ideia da comemoração do DIA MUNDIAL DO LIVRO teve origem na Catalunha: a 23 de Abril, dia de São Jorge, é oferecida uma rosa a quem comprar um livro. Mais recentemente, a troca de uma rosa por um livro tornou-se uma tradição em vários países do mundo.
Em 2010, a DGLB vai articular esta data com o Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social
Os cartazes que assinalam as duas efemérides são da autoria do ilustrador José Manuel Saraiva.
Fonte: DGLB

quinta-feira, 1 de abril de 2010

UMA SANTA PÁSCOA

"Depois do Inverno, morte figurada,
A Primavera,
uma assunção de flores.
A vida Renascida
E celebrada
Num festival de pétalas e cores."

Miguel Torga, diário XIV 

2 DE ABRIL - DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL

 Comemora-se, dia 2 de Abril, o Dia Internacional do Livro Infantil. Este é o cartaz oficial do evento.

Um livro espera-te. Procura-o.
Era uma vez
um barquinho pequenino
que não sabia
não podia
navegar
Passaram uma, duas, três,
quatro, cinco, seis semanas
e aquele barquinho
aquele barquinho
navegou.
Antes de se aprender a ler aprende-se a brincar. E a cantar. Eu e os meninos da minha terra entoávamos esta cantiga quando ainda não sabíamos ler. Juntávamo-nos na rua, fazendo uma roda e, ao despique com as vozes dos grilos no Verão, cantávamos uma e outra vez a impotência do barquinho que não sabia navegar.
Às vezes construíamos barquinhos de papel, íamos pô-los nos charcos e os barquinhos desfaziam-se sem conseguirem alcançar nenhuma costa.
Eu também era um barco pequeno fundeado nas ruas do meu bairro. Passava as tardes numa açoteia vendo o sol esconder-se à hora do poente, e pressentia na lonjura – não sabia ainda se nos longes do espaço, se nos longes do coração – um mundo maravilhoso que se estendia para lá do que a minha vista alcançava.
Por detrás de umas caixas, num armário da minha casa, também havia um livro pequenino que não podia navegar porque ninguém o lia. Quantas vezes passei por ele, sem me dar conta da sua existência! O barco de papel, encalhado na lama; o livro solitário, oculto na estante, atrás das caixas de cartão.
Um dia, a minha mão, à procura de alguma coisa, tocou na lombada do livro. Se eu fosse livro, contaria a coisa assim: «Certo dia, a mão de um menino roçou na minha capa e eu senti que as minhas velas se desdobravam e eu começava a navegar».
Que surpresa quando, por fim, os meus olhos tiveram na frente aquele objecto! Era um pequeno livro de capa vermelha e marca-de-água dourada. Abri-o expectante como quem encontra um cofre e ansioso por conhecer o seu conteúdo. E não era para menos. Mal comecei a ler, compreendi que a aventura estava servida: a valentia do protagonista, as personagens bondosas, as malvadas, as ilustrações com frases em pé-de-página que observava uma e outra vez, o perigo, as surpresas..., tudo isso me transportou a um mundo apaixonante e desconhecido.
Desse modo descobri que para lá da minha casa havia um rio, e que atrás do rio havia um mar e que no mar, à espera de partir, havia um barco. O primeiro em que embarquei chamava-se Hispaniola, mas teria sido igual se se chamasse Nautilus, Rocinante, a embarcação de Sindbad ou a jangada de Huckleberry. Todos eles, por mais tempo que passe, estarão sempre à espera de que os olhos de um menino desamarrem as suas velas e os façam zarpar.
É por isso que... não esperes mais, estende a tua mão, pega num livro, abre-o, lê: descobrirás, como na cantiga da minha infância, que não há barco, por pequeno que seja, que em pouco tempo não aprenda a navegar.

ELIACER CANSINO
Tradução: José António Gomes
Eliacer Cansino Macías (Sevilha, 1954) é professor de Filosofia numa escola de Sevilha, desde 1980, e autor de romances para jovens e adultos. Em 1997, recebeu o Prémio Lazarillo por O Mistério Velázquez, recriação da vida do anão Nicolasillo Pertusato e da sua relação com Velázquez. Em 1992, foi-lhe outorgado o Prémio Internacional Infanta Elena pelo livro Eu, Robinsón Sánchez, tendo naufragado, obra que foi também finalista do Prémio Nacional de Literatura Infantil, de Espanha. Em 2009, recebeu o Prémio Anaya de Literatura Infantil e Juvenil por Um Quarto em Babel. O lápis que encontrou o seu nome (2005). Tem muitos outros títulos editados.